[Resenha] Serraria Baixo-Astral, Desventuras em série #4 - Lemony Snicket

07:15

Nome: O lago das sanguessugas
Autor (a): Lemony Snicket
Nº de páginas: 192
Série: Desventuras em série #3

Na opinião de Lemony Snicket, "de todos os volumes que contam a vida infeliz dos órfãos Baudelaire, Serraria baixo-astral talvez seja o mais triste até agora". Alto-Astral é o nome da serraria que serve de cenário para as novas calamidades que Klaus, Violet e Sunny serão obrigados a viver. Trata-se de uma "ironia do destino", pois ali, no meio daquelas árvores derrubadas, daquelas enormes toras de madeira, o que as três crianças vão encontrar é mais uma coleção de coisas horripilantes, tais como uma gigantesca pinça mecânica, bifes do tipo sola de sapato, uma hipnotizadora e um homem com uma nuvem de fumaça no lugar da cabeça. A vida dos Baudelaire é mesmo muito diferente da vida da maioria das pessoas, "a diferença principal estando no grau de infelicidade, horror e desespero"...
Diante desse quadro, algum leitor desavisado pode desconfiar: "Como é que alguém vai se divertir com um livro desses, se as personagens não param de sofrer?!". A pergunta faz sentido, mas é justamente aí que descobrimos um dos melhores segredos de Lemony Snicket, pseudônimo do americano Daniel Handler. Ele leva o exagero às raias do absurdo, faz o realismo perder feio para o mais deslavado faz-de-conta e o resultado não poderia ser outro: um jogo literário incessantemente bem-humorado.

No quarto livro, os órfãos desembarcam em uma cidadezinha deprimente à primeira vista. E, como o próprio nome do livro sugere, a experiência vivida por Klaus, Sunny e Violet não é nem um pouco agradável. Na minha opinião, foi a pior até agora.

Nessa cidadezinha de uma rua, o leitor conhece a Serraria Alto-Astral, um lugar onde os empregados almoçam chiclete e o salário é pago com tickets. Se você está achando isso ruim, devo informar que a própria placa da serraria tem as letras formadas por chicletes mascados. 

Os órfãos são enviados para ficarem aos cuidados do dono da serraria, um homem mandão, o qual ninguém nunca viu o rosto, pois o mesmo está sempre coberto por uma cortina de fumaça que sai do seu charuto.

Mesmo já sendo o quarto volume da série, não a acho repetitiva, e tinha tudo para ser, pois a cada livro, os órfãos sempre encontram algo que talvez possa ser seu novo lar por poucos anos, o Conde Olaf vem e tenta estragar tudo na tentativa de conseguir o dinheiro das crianças. Mas o autor consegue surpreender o leitor a cada narração, e como os livros são curtos, é difícil ter alguma enrolação. O livro é empolgante do início ao fim. Sem deixar a desejar em nenhum momento.

O ritmo do livro é ótimo, com certeza está na lista de livros que vou ler para os meus filhos antes de dormir. Indico a todos que estão buscando uma aventura rápida e sem rodeios.

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